Estímulo à denúncia é a aposta da Polícia Civil do RS para combater a violência contra as mulheres

Mais nove Sala das Margaridas, que promovem acolhimento às vítimas de violência, foram inauguradas nas DPPAS do Estado. Um chefe da Polícia Civil do RS, delegada Nadine Anflor, falou sobre o enfrentamento à problemática na Tua Rádio São Francisco.

O Dia Internacional da Mulher, lembrado nesta segunda-feira (08), além de celebrar como conquistas e os avanços sociais já relacionados às questões de gênero, é um momento para refletir e agir para promover as mudanças que ainda são necessárias. Uma das principais problemáticas que precisa ser combatida atualmente é a violência contra as mulheres.

No Rio Grande do Sul, dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) mostram que nenhum ano passado houve queda de cerca de 20% na taxa de feminicídios em comparação a 2019 (de 97 ) para 78). Já, neste ano de 2021, em pouco mais de três meses, 20 mulheres foram mortas pelo fato de serem mulheres.

Durante entrevista à Tua Rádio São Francisco, um chefe da Polícia Civil do Estado, uma delegada Nadine Tagliari Farias Anflor, afirmou que além da violência física, outros tipos de agressões também interferem na vida das mulheres. “É uma triste realidade a violência contra a mulher, a mulher como a parte vulnerável, principalmente das relações. Quando há o desejo do rompimento é quando as mulheres acabam sendo as maiores causadas de agressões. São agressões, não somente físico, mas também morais, patrimoniais, psicológicas, que fazem com que as mulheres não ocupem seus espaços e não consigam o respeito que comprovam merecem ”, disse.

O Chefe de Polícia destacou a importância da denúncia para que o ciclo de violência seja rompido. Visando facilitar o acesso das mulheres aos órgãos de segurança, a Polícia Civil aumentou os atendimentos na Delegacia Online e, desde 2020, disponibilizou um contato de WhatsApp específico para as denúncias de violência contra elas: (51) 2021 – 0606. Além disso, a Polícia Civil está trabalhando na implantação da Sala das Margaridas nas Delegacias de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) de todo o Estado. “É o nome de uma flor forte, resiliente; é uma sala também que representa para todos os policiais um alerta no sentido de que toda e qualquer mulher que chegar num plantão policial tem que ter um atendimento diferenciado. Ela não é vítima de qualquer vítima de tentativa de furto, de roubo de veículos ou outro crime patrimonial. Então, essa sala nos plantões policiais faz com que a mulher seja atendida em outro espaço e seja acolhida de forma diferente. Todas as salas têm duas palavras coladas na parede que são respeito e proteção. É justamente o que o policial deve dar para a mulher e o que a mulher deve buscar no momento do registro da ocorrência. Se as mulheres que mais morrem no Rio Grande do Sul são as mulheres que não denunciam a situação de violência, nós temos que estimular a denúncia ”, afirmou Nadine.

No total, o RS tem 25 Salas das Margaridas, sendo que nove foram inauguradas nesta segunda-feira (03 / 03). Ouça a entrevista completa AQUI.