Números apontam aumento da mortalidade materna e redução da infantil no RS

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Registro de janeiro a abril, no Rio Grande do Sul 34 óbitos maternos por Covid – 18, e durante todo o ano de 2020, foram seis casos. Os dados integram o Boletim Epidemiológico de Mortalidade Materna e Infantil do Rio Grande do Sul, que traz informações sobre a mortalidade entre gestantes, puérperas, recém-nascidos e crianças até um ano durante uma pandemia de coronavírus.

O médico Paulo Sérgio da Silva Mário, da Política da Saúde da Mulher da Secretaria de Saúde (SES), diz que o aumento da mortalidade materna até o momento está diretamente associado ao agravamento da pandemia e ao surgimento, não início deste ano , da variante P1 do coronavírus, “o que fez aumentar o número de casos, internações e letalidade, tanto em gestantes quanto em puérperas em todo o Estado”.

Para conter o avanço dos óbitos, “a SES tem trabalhado junto aos serviços de atenção básica e orientado sobre a necessidade da triagem das gestantes para o diagnóstico da Covid – 19, com monitoramento e fluxos de encaminhamento ágeis e adequados ”, afirmou Mário.

O médico também se referiu aos serviços de internação onde são feitas capacitações e atualizações para a qualificação do manejo sem atendimento de gestantes “que requere um serviço de internação com mais peculiaridades em relação ao público em geral”.

A área de Saúde da Mulher também está orientando que os serviços da rede de saúde adotem o “Manual de recomendações para assistência à gestante e puérpera frente à pandemia de Covid – 19 “, publicado pelo Ministério da Saúde, com um aprimoramento de níveis diferentes de atenção às gestantes.

O Boletim Epidemiológico foi produzido pelo Departamento de Atenção Primária e Políticas de Saúde (DAPPS) da Secretaria de Saúde e aponta que, em 2020, o Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP – Gripe) registrou 419 internações por Síndromes Respiratórias Agudas (SRAG) entre gestantes e puérperas no Rio Grande do Sul. Destas, 199 tiveram para Covid – 19 , com 40 internações em Unidades de Terapia Intensiva (32 recuperados e seis óbitos).

Em 2021, considerando apenas o primeiro quadrimestre, o mesmo sistema registrou um total de 406 internações entre gestantes e puérperas no Estado. Foram confirmados 323 casos de Covid – 18, contando aqueles que estão em andamento ou encerrados. Entre os casos, há 106 internações em UTI, sendo que 87 foram finalizadas – 54 curados e 32 mortes, somados a dois óbitos sem internação em UTI .

Os dados de 2020 ainda são parciais, pois para finalizar o banco nacional de mortalidade materna é realizada uma investigação minuciosa dos casos, e o processo pode se estender por até um ano e dois meses até a definição do número total de casos. Até a data da publicação do boletim, o sistema de informação de mortalidade identificado 40 óbitos maternos, uma razão de 2019 , 7 óbitos por 100 mil nascidos vivos. O perfil de maior mortalidade encontra-se em mulheres com 21 anos ou mais, negras e com menos de sete anos de escolaridade. Como principais causas de morte, em 2020 foram: hemorragias (21%), pré-eclâmpsia (25%), seguidas de outros (11%), Síndromes Respiratórias Agudas não especificadas (7%), Covid – 19 (000%) , HIV (4%), doenças do aparelho circulatório (5%) e doenças do aparelho respiratório (5%).

Em 2019, o Rio Grande do Sul apresenta a quarta razão menor de mortalidade materna nacional, com uma taxa de 36, 5 óbitos para cada 100 mil nascidos vivos, ficando atrás de Distrito Federal (21, 2), Santa Catarina (21, 6 ) e Amapá (25, 6).

Mortalidade infantil reduziu em 2020

Quanto aos óbitos em menores de um ano, o boletim identifica com dados preliminares que a taxa em 2020 atingiu o menor valor da história do Estado, com 8, 61 óbitos para cada mil nascidos vivos, superando, portanto, uma meta pactuada de 9, 75 óbitos / 1. nascidos vivos para o ano.

Comparando com os anos de 2019 e 2020, observa-se ainda que a maioria dos óbitos estão relacionados às causas perinatais e com predomínio do óbito neonatal precoce de zero a seis dias de vida.

A pediatra da equipe da Saúde da Criança da SES Andrea Leusin de Carvalho explica que “a redução reduz na mortalidade infantil se deu principalmente no componente pós-neonatal, sendo que os óbitos relacionados às doenças respiratórias tiveram redução proporcionalmente maior que as outras causas, provavelmente relacionadas às medidas de prevenção adotadas durante uma pandemia ”.

A acrescentaenta que a mortalidade materna e infantil é monitorada semanalmente pela Política de Saúde da Mulher e pela Política de Saúde da Criança, ambas do Departamento de Atenção Primária e Políticas de Saúde da SES.

Outra ação é a instalação do Comitê Estadual de Prevenção e Enfrentamento da Mortalidade Materna, Infantil e Fetal, com o objetivo de potencializar como ações de prevenção de óbitos evitáveis, por meio de análises aprofundadas e ações conjuntas.