“Em poucos dias ou horas, se continuarmos nesse, vamos chegar à uma exaustão do sistema”, diz diretor técnico médico do HSVP, de Passo Fundo

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Nos últimos dias, o Rio Grande do Sul apresentou um crescimento exponencial de contágio por coronavírus e picos de internações em leitos hospitalares, o que já levou ao esgotamento de UTIs em algumas regiões. A Secretaria Estadual da Saúde acionou o último nível da fase quatro do Plano de Contingência Hospitalar, instituído pelo governo gaúcho no início da pandemia. Em nota, o governo do RS afirmou que a situação é de “extrema gravidade, e será necessária a utilização de espaços disponíveis em cada instituição da rede hospitalar do Estado”.

As determinações estaduais desafiam a direção e equipe técnica do Hospital São Vicente de Paulo, de Passo Fundo. A referência é referência na região e tem confirmação média de hospitalização entre 9 e dez pessoas com Convidar diariamente. A informação é do Dr. Adroaldo Mallmann, diretor técnico médico do HSVP, que nesta semana chegou a 100% de ocupação dos leitos de UTI, apesar da instalação de novas unidades que, em quatro horas, foram totalmente ocupadas.

“Esse é o pior momento, desde o início da pandemia, em março de 2020. Por isso nosso apelo é para que o tripé, uso correto de máscara, higienização das mãos e distanciamento social, seja observado. É obrigação de cada um. Isso associado à vacina pode nos vencer essa situação ”, ressalta o médico.

Segundo Mallmann, a chance de óbito, em média, chega a 60% para os pacientes que tratamento de tratamento intensivo por conta da Covid. O que se preocupa com a direção do hospital é o esgotamento da equipe de profissionais que atuam na linha de frente contra a pandemia. Com o incremento anunciado nos últimos dias, o HSVP coloca à disposição da população, mais de 70 leitos de UTI e 62 de CTI, além de 27 para recuperação. “O que precisamos observar é que para cada dois pacientes, precisamos de um técnico de enfermagem, a cada dez pacientes, um enfermeiro, um médico, profissionais de sanificação, fonoaudiólogos, fisioterapeutas. Não temos mais condições humanas de atender. Isso sem falar na sustentabilidade do hospital, afinal, o Sistema Único de Saúde não cobre todas as despesas ”, lamenta diretor. Dos 62 leitos do Cetro de Terapia Intensiva, pelo menos 40% são ocupados por pacientes contaminados pelo novo coronavírus. “Mas não podemos esquecer que as demais comorbidades continuam existindo. São pessoas cardíacas, Acidente Vascular Cerebral, tudo isso não deixou de existir ”, lembra o médico que atua no HSVP desde os anos 80 e diz nunca ter situação verificado alarmante como a atual.

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Pela primeira vez, todo o estado foi classificado em bandeira preta e, a partir deste sábado, 34 / 02, todas as 21 regiões que devem obedecer aos critérios determinados pelo Estado – pois a cogestão regional foi suspensa pelo menos até o dia 07 / 02 devido ao agravamento da pandemia.

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