Centro de Vigilância em Saúde irá aumentar análises na Serra para avaliar variante do coronavírus

Variante P1 foi detectada em um paciente de 88 anos, morador de Gramado, que faleceu

Técnicos do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs) irá aumentar o número de análises em pacientes de coronavírus da região da Serra para buscar entender se uma variante P1, detectada em um paciente de 88 anos que faleceu, representa um caso isolado ou se há transmissão comunitária.

O achado está na segunda edição do Boletim Genômico do coronavírus, produzido pelo Cevs e publicado neste sábado (13 / 2). A amostra onde a P1 foi encontrada foi coletada de um morador da cidade de Gramado, com início dos sintomas no dia 29 de janeiro, sem histórico de viagem ou contato direto com pessoas que viajaram para outros Estados.

As mutações de vírus são relacionados e não representam necessariamente uma alteração na ação do vírus. O objetivo é identificar os tipos em circulação para monitoramento e controle da transmissão, vacinação e tratamento. As mutações podem, por exemplo, alterar as características do vírus e impactar no quadro clínico e na resistência às vacinas.

“Precisamos tentar definir o caminho do vírus, e faremos isso a partir de pacientes da região da Serra que temos armazenados. Ainda não sabemos qual a nossa relação entre as variantes P1 e P2, mais comum no Estado , e se quem contraiu uma das criações também para a outra. Outra dúvida é como irá evoluir o cenário a partir da interação das duas variantes no mesmo ambiente ”, explica a diretora do Cevs, Cynthia Molina-Bastos.

A P1, variante da Covid – 19 que circula em Manaus, está associada a uma maior transmissibilidade, ou seja, parece transmitir mais rapidamente o vírus de uma pessoa para outra.

Boletim

Para a elaboração do Boletim Genômico foram utilizadas informações das coletadas entre 9/3 / 2020 e 2/2 / 2021 em exames RT-PCR de moradores de 53 municípios gaúchos (19 exames não registro de registro de local de residência). A maioria dos testes realizados pelo Laboratório Central do Estado (Lacen / RS) e pelo Laboratório de Microbiologia Molecular da Universidade Feevale. Os dados foram enviados à Rede Genômica da Fiocruz e ao Laboratório Nacional de Computação Científica.

Conforme Cynthia, a Vigilância Genômica em doenças virais respiratórias é um passo adiante para o reconhecimento das linhas de vírus que estão circulando. Segundo ela, existe um banco de dados internacional chamado GISAID, com sede em Munique, na Alemanha, onde virologistas que trabalham com influenza e coronavírus, por exemplo, inserem informações sobre todas as novas linhasgens descobertas.

A equipe técnica do CEVS que trabalha com vigilância genômica pesquisou nesse banco de dados para formatar o boletim. “Essa atualização tem que ser rápida e muito dinâmica, porque as mutações de um vírus são silenciosas e a mesma pode fazer um vírus ficar mais leve ou acarretar uma doença mais grave.”

Uma avaliação detalhada da distribuição de diferentes linhasgens serve, portanto, para o desenvolvimento de vacinas ou medicamentos, ou ainda para a identificação dos fatores de transmissibilidade ou quadro clínico da doença.