“A dose que precisa para combater a Covid-19 é muito tóxica”, diz médica infectologista sobre uso da cloroquina

Em entrevista na Tua Rádio São Francisco, a médica infectologista, Lessandra Michelin, ressaltou que não há estudos que comprovam benefícios do medicamento

Um dos principais assuntos que repercutiu no cenário nacional, nesta semana, foi a alteração no protocolo para uso da cloroquina e hidroxicloroquina em pacientes com Covid-19. Na última quarta-feira (20), o Ministério da Saúde liberou a utilização dos medicamentos no SUS, até para casos leves da doença. Até então, o protocolo previa os remédios para casos graves.

Porém especialistas e entidades do mundo inteiro se manifestaram quanto aos riscos da utilização das substâncias. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que a cloroquina e a hidroxicloroquina podem causar efeitos colaterais e que não têm eficácia comprovada no tratamento da Covid-19. A entidade também afirmou que as substâncias só devem ser usadas contra a Covid-19 em ensaios clínicos.

A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) emitiu um comunicado no mesmo sentido. Durante entrevista na Tua Rádio São Francisco, a médica infectologista, que integra a diretoria da SBI e também é professora na Universidade de Caxias do Sul, Lessandra Michelin, salientou que a entidade não está recomendando o uso do medicamento em casos leves da doença. Ela também frisou que ainda não há estudos conclusivos sobre os benefícios, mas salientou que os efeitos adversos são comprovados, pois as doses administradas para combater a Covid-19 são muito altas. “Há uma toxicidade. Como a dose necessária para tratamento da Covid-19 é alta, pode dar arritmia, problemas cardíacos e outros problemas no paciente que podem até leva-lo a óbito. Então, [o paciente] vai estar tomando um medicamento que pode fazer mais mal do que ajudar”.

A especialista também salientou que ainda não há um tratamento cientificamente comprovado contra a doença. “Às vezes, as pessoas querem respostas, querem uma pílula milagrosa para curar essa virose, mas a gente ainda não tem esse tipo de tratamento. Então a gente pede para que as pessoas não façam a automedicação, e também estamos fazendo um apelo para os colegas para que se questionem se esse medicamento realmente pode trazer benefícios para o seu paciente, porque a gente está cada vez mais com evidências de que não devemos usá-lo”.   

Na entrevista, Lessandra Michelin também reforçou que a população precisa manter os cuidados e etiqueta respiratória, principalmente com a proximidade do inverno, para se proteger tanto do coronavírus quanto de outras síndromes gripais. Ouça a entrevista completa AQUI.         

Link para notícia no site Tua Rádio