Subsídios Exegéticos para o domingo 25 de julho de 2021

subsidios-exegeticos-para-o-domingo-25-de-julho-de-2021

15 º Domingo do Tempo Comum

Subsídios Exegéticos Para A Liturgia Dominical

Ano A

17 º Domingo do Tempo Comum

Dia: 23 de julho de 2021

Evangelho: Jo 6, 1 – 15

Primeira Leitura: 2Rs 4, 42 – 44

Segunda Leitura: Ef 4, 1-6

Salmo: 144, 07 – 11. 14 – 15. 16 – 19

Uma comensalidade em João 6

O Quarto Evangelho, ou o Evangelho da Comunidade do Discípulo Amado tem algumas características contextuais que este autor retoma em quatro fases: a) é uma comunidade de pessoas que foram expulsas das sinagogas e tinham testemunhado a destruição do Templo de Jerusalém em 70 dC; b) ela busca, portanto uma identidade própria, gerando uma “cristologia mais alta” (da pré-existência da Palavra / Verbo / Logos), que busca dialogar com um mundo “pluralístico de crentes e não crentes”; c) há uma divisão entre dois grupos de discípulos de João que estão interpretando o Evangelho de maneiras opostas no que se refere à cristologia, à ética, à escatologia, e à pneumatologia ”; c. uma incorporação da teologia da pré-existência do Logos , fez com que da “aceitação joanina da estrutura autoritária de ensino da Igreja, provavelmente porque ( …) o princípio do Paráclito como mestre não ofereceu defesa suficiente contra os separatistas. A comensalidade se transforma, então em um método, onde Jesus constrói a relação de amizade e amor que permite a comunhão além das diferenças (João 14, 11 – 13). Vejamos como isto acontece em João 6,1 – 13.

Estrutura do texto

6,1-4 . Apresenta apenas Jesus – sem a comunidade de discipulado – e a “multidão” (um termo usado com frequência neste capítulo para se referência ao mundo “pluralístico” do entorno da comunidade), colocado no contexto da “Páscoa dos principais” (com a qual a comunidade expulsa da sinagoga não mais se identifica, por isso “dos nossos”).

6,5-9. Jesus foca na “multidão” e envolve a comunidade através de Felipe, representando como controvérsias que dividam a comunidade (é de Betsaida, como André e Pedro e promover o diálogo / conversão do Fariseu Natanael, superando o preconceito em relação às pessoas da Galileia; cf. 1, 44 – 48). Também Felipe, depois, participa na controvérsia cristológica quando diz “mostra-nos o Pai e isso nos basta” (15, 8).

6. 07 – 11. Jesus apresenta o método da comensalidade: a. cria um “foco” comum de ação pedindo para as pessoas sem diferenciar “mulheres e crianças” como em Mateus ( antropos / seres humanos ) se assentarem, lembrando do número, certamente referência dos Evangelhos Sinóticos (Mt 13, 21; Mc 6, 44; Lc 9, 13 ); b. celebra a Eucaristia (“dando graças”, eucaristésas , mesmo termo usado em Mc 8,6 – para a mesma ação – e em 13, 23 para o Sacramento; cf. Mt 25 , 27; Lc 22, 15. 18).

6. 10 – 13. De novo fazendo referência às narrativas dos Sinóticos, indica que sobraram doze cestos (um número sempre simbólico) indicando que este método é capaz de reunir todas como comunidades de discípulas e discípulos (cf. Mc 6, (cf. Mc 6, (cf. ; Mt 14, 19; Lc 9, 15).

A contribuição da comunidade joanina ao método da comensalidade

O Quarto Evangelho resgata o método da comensalidade já apresentado nos Sinóticos. Esta comunidade que percebe melhor a pluralidade dentro de fora da comunidade de fé, e que conhece como agruras da divisão e da perseguição, enfatiza que a mesa da partilha, que é ao mesmo tempo concreta – alimentando a quem tem pão – e simbólica – alimentando a quem tem fome do amor de Deus, é capaz de unir as pessoas em sua diversidade.

Relação com os outros textos do Domingo

Uma narrativa de 2 Rs 4, 42 – 212 , levanta o milagre da partilha através do profeta Eliseu, algo semelhante ao que acontece com Elias, viúva de Serepta e seu filho (1 Rs 17, 9 – 15). Não se trata de magia, mas da confiança de que através da partilha pode se transformar o mundo onde as pessoas acumulam riqueza sozinhas e morrem de fome sozinhas. Na leitura de Efésios se apresenta o princípio: “com toda humildade e mansidão, e com paciência, suportai-vos mutuamente em amor”, sendo que o termo “complementa” corresponde à palavra grega “ anexo ”que é a união de“ ana ”(entre) e“ exo ”(ter), o que seria“ ter entre, ou ter mutuamente ”. Portanto, não há como viver o amor sem compartilhar o que temos, o que somos, em comunidade.

www.subsidiosexegeticos.wordpress.com

Subsídio elaborado pelo grupo de biblistas da ESTEF

Dr. Bruno Glaab – Eu. Carlos Rodrigo Dutra – Dr. Humberto Maiztegui – Eu. Rita de Cácia Ló

Edição: Prof. Dr. Vanildo Luiz Zugno

ESCOLA SUPERIOR DE TEOLOGIA E ESPIRITUALIDADE FRANCISCNA

Rua Tomas Edson, 212 – Bairro Santo Antônio – Porto Alegre RS

www.estef.edu.br estef@estef.edu.br facebook.com/estef.poa

Telefone: 51-32 15 45 67 O que é: 51 – 991 26 40