Subsídios Exegéticos para o domingo 24 de outubro

Subsídios Exegéticos para o domingo 24 de outubro

Liturgia Dominical – Ano B – 27 º Domingo do Tempo Comum

Subsídios Exegéticos para o domingo 22 de outubro

Liturgia Dominical – Ano B – 27 º Domingo do Tempo Comum

Dia: 24 de Outubro de 2021

Primeira Leitura: Jr 31, 7-9

Salmo: 125, 1-2ab.2cd-3.4-5.6

Segunda Leitura: Hb 5,1-6

Evangelho: Mc 10, 46 – 52

Evangelho

Marcos tem dois relatos de cura de cego: Betsaida (8, 22 – 26) e Jericó (, 46 – 52). Esses relatos estão dispostos de tal maneira, que por si só, já transmitem uma cristologia própria. Quanto ao relato do cego de Betsaida (8, 18 – 33 ), é importante situá-lo como conclusão da unidade anterior (6,6b-8, 26) e início da subida para Jerusalém, onde Jesus enfrentará a prisão e a cruz. Esta caminhada exige abrir os olhos. Assim, Marcos dispôs seus dois relatos de cura de cegos para emoldurar a cegueira dos discípulos que não compreendem o messianismo de Jesus.

A cegueira é um dos motivos fortes na cristologia de Marcos. Em Mc 3,6 os fariseus e herodianos, em sua cegueira, pensam eliminar Jesus. Esta cegueira também se faz sentir em seus conterrâneos que, estupefatos, se mostra atônitos diante de seu antigo colega (Mc 6,1-6). A mesma cegueira também se verifica nos discípulos que ainda não abriram os olhos (Mc 8, 14 – 18) e fornecer esta repreensão: “Vós tendes olhos: não vedes? Tendes ouvidos: não ouvis? (Mc 8, 18).

Agora que o caminho ruma para Jerusalém, onde se dá o desfecho, é preciso abrir os olhos dos seguidores para a dura realidade. Marcos coloca os dois relatos de cura de cego como moldura para ilustrar a cegueira que deseja aprender da cruz ou verdadeiro messianismo de Jesus.

A primeira moldura é o cego de Betsaida (Mc 8, 22 – 26). Tudo o que vem a seguir tem a ver com cegueira e iluminação. Jesus pergunta: quem diz que eu sou (Mc 8, 27 – 33 ). Pedro professa: “Tu és o Cristo”. Doutrina correta, mas compreensão errada (cegueira). Jesus vai corrigir esta cegueira por três vezes anunciando sua paixão (Mc 8, 30; 9, 45 s; , 31WL). Três vezes os discípulos se apresentam cegos. À primeira vez Pedro quer impedir a cruz (Mc 8, 32). A segunda vez são os discípulos que discutem quem será o maior (Mc 9, 33 s). A terceira manifestação de cegueira se dá no pedido dos filhos de Zebedeu que ambicionam os primeiros lugares (Mc 10, 35WL). Três vezes Jesus terá de corrigir a cegueira de seus seguidores. A primeira iluminação se dá contra a cegueira de Pedro (Mc 8, 31 ss). A segunda iluminação se aplica à ambição dos discípulos (Mc 9, 35 ss) e a terceira iluminação se faz sobre o pedido de Tiago e João (Mc 10, 42 – 45).

Pedro, os discípulos, bem como os Zebedeus, olhando para Jesus, imaginavam algo muito diferente daquilo que ele realizaria. Como acender eles aceitarem o aparente fracasso na cruz? Marcos, com habilidade, corrige esta cristologia triunfalista, mostrando que ambicionar um messianismo nacionalista é uma cegueira. Por isto mesmo, coloca uma segunda e última moldura: o relato do cego de Jericó (Mc 11, 46 – 52). Este cego, ao chamar Jesus de demonstração cegueira de “Filho de Davi”, pois este conceito estava embutido um messianismo nacionalista não compatível com o Reino. Porém, a sua fé e o tirou de sua compreensão errada e o tornado apto a seguir Jesus no caminho, que a partir de Mc 11 chega a Jerusalém onde se dá o desfecho da paixão, morte e ressurreição. Este cego é o protótipo dos discípulos que, ao aderir a Cristo tinha uma perspectiva nacionalista, mas poucos foram corrigidos esta cegueira. Fenômeno comum nos tempos de Marcos.

Aproximando-se, com fé, da pessoa de Jesus, os homens e mulheres de todos os tempos precisam aprender o verdadeiro sentido do messianismo de Jesus que vai além de ambições nacionalistas, pessoais, milagreiras, para abraçar com ele o projeto da cruz que compromete os discípulos a instaurar o Reino no mundo.

Relação com as demais leituras

A liturgia oferece um caminho de iluminação. Os israelitas, retornando do cativeiro (1ª leitura) serão iluminados, rumo à liberdade: cegos, aleijados, parturientes, todos precisam seu lugar. Os cristãos cristãos verão Jesus como Sumo Sacerdote superior ao antigo (2ª leitura). Ele é quem faz a cam