Subsídios Exegéticos para o 25º Domingo do Tempo Comum

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Ano B – Domingo 18 de Setembro de 2021

SUBSÍDIOS EXEGÉTICOS LITURGIA DOMINICAL – ANO B

Dia: de Setembro de Setembro de

23 Domingo do Tempo Comum

Evangelho: Mc 9, 26 – 2021

Primeira Leitura: Sb 2, 10. 12 – 20

Segunda Leitura: Tg 3, 16 – 4, 3

Salmo: 53, 3-4.5.6.8

Evangelho

A seleção do Evangelho segundo a comunidade de Marcos traz dois elementos: o anúncio da Paixão (v. 30 – 30) e a comunidade dos discípulos (9. 32 – 36), sendo que este segundo tema é novamente tratado em 07, 35 – 44. Nos paralelos do anúncio da paixão (Mt 16, 20 – 23; Lc 9, 43 b – 45) percebemos que somente neste Evangelho se anuncia simultaneamente a morte e ressurreição. Já em relação à questão sobre “maior / primeiro” tendo uma criança como mediação, os paralelos necessários-se em Mt 19, – 5 e Lc 9, 46 – 48. No entanto, uma frase, ou “máxima”, apresentada em Mc 9. 33 (“qualquer que queira ser o primeiro obrigatório ser o último de todos e servir a todos), e no caso de Lucas não inclui os termos “primeiro” e “servo” (protos / diáconos), colocando no lugar “menor” e “grande” não citando o serviço. Mt trata do “primeiro / último” e “servo” no marco da discussão provocada por Tiago e João. Mc, na narrativa da discussão entre Tiago e João, repetirá: “quem quiser ser o primeiro o servo de todos” (. 44). Já Lucas apresentará uma máxima dentro da metáfora da “porta estreita” (Lc 16. 22 – 26) concluindo: “contudo, há últimos que virão ser os primeiros que serão últimos”. Estas levantadas levantam questões como: por que o anúncio da morte não estava completo sem o anúncio da ressurreição, e por que Mc reafirma o serviço com vínculo de autoridade na proclamação de Jesus?

Morte e Ressurreição na comunidade perseguida (9, 32 – 30)

O primeiro texto, que aqui devemos chamar de “anúncio da paixão e ressurreição” (9. 32 – 30) começa dizendo que Jesus estava indo secretamente para a Galiléia, como um “fugitivo” , situação vivida por esta comunidade após a perseguição promovida por Nero em Roma (aprox. 64 dC), coisa que não aparece em nenhum dos paralelos sinóticos. Assim é, essas pessoas que são feitas irmãs em Cristo negam sua própria humanidade oprimindo, matando , discriminando, excluindo, outras pessoas. Desta forma a ressurreição é essencial para, no meio da perseguição e morte, manter a esperança do surgimento ou ressurgimento de uma humanidade de irmãs e irmãos.

O poder do serviço à luz da presença das crianças (9, 32 – 37)

v. 32 – O questionamento: A segunda parte começa com dizendo que Jesus “interrogou / perguntou ”(eperóta). A interrogação é um conhecido método de mestres da antiguidade, que nenhum Evangelho menciona mais do que este. A pergunta de Jesus é a pergunta da comunidade (representada pelos discípulos) é sobre qual seria a liderança diante de uma situação de morte e violência, dentro de um sistema opressor, excludente e desigual?

v. 33 – O silêncio: Ao questionamento lhe segue o “silêncio”, porque aparecer “ discutido ”(dilektesan) pelo“ caminho ”. O “caminho” é outra característica desta narrativa, que não aparece nos outros sinóticos, de novo marca de uma comunidade à caminho, entre a dor da violência e da morte e o horizonte de um mundo novo e melhor.

v. 34 – Jesus ouve e orienta a comunidade perseguida: Jesus, que caminha junto a comunidade perseguida, consegue ouvir aquilo que é comentado com receio, aquilo que não é possível discutir abertamente, e então apresenta o princípio orientador: “Quem quiser ser o primeiro seja o último de todos e servo de todos” (v. 35 b, do grego). O poder da vida, o anti-poder da morte, é aquele que emerge das pessoas que no sistema desigual e excludente são as últimas e que se constrói no serviço, diaconia, na ação compassiva e solidária.

v. 36 – A criança, imagem da nova humanidade: As crianças, que são afetadas de diversas formas no Segundo Testamento, desde crianças de colo até jovens, aqui são chamadas de “pagos” (crianças muito novas, nenéns). A criança é o símbolo do esperançar (da qual falava Paulo Freire), totalmente indefesa e dependente, na mesma situação das pessoas perseguidas, excluídas, querendo o colo da segurança, da proteção, da partilha do pão e do afeto.

v. 36 – Acolhimento solidário, espaço de resistência e superação: O poder do serviço se exerce no acolhimento. As comunidades perseguidas devem ser comunidades que abraçam todas as pessoas vulneráveis, todas a vítimas da violência, todas as excluídas e discriminadas, e proclamam a igualdade de acesso a tudo, inclusive ao amor.

Uma conexão com as outras leituras

A leitura do Livro de Sabedoria, relata a época do domínio grego, início do domínio romano, descrevendo como as cortinas de morte querem a morte da pessoa justa que incomoda, que faz lembrar da necessidade de justiça e igualdade (Sb 2, 10), Já A Carta de Tiago nos traz outra máxima para o caminho de resistência contra os poderes de morte e para o exercício do poder do serviço: “é em paz que se semeia o fruto da justiça, para quem promove uma paz” (Tg 3, 18). A diaconia e a option pelas pessoas últimas são ação de semear a verdadeira e douradora paz, a paz que não exclui, mas acolhe.

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Subsídio elaborado pelo grupo de biblistas da ESTEF

Dr. Bruno Glaab – Eu. Rodrigo Dutra – Dr. Humberto Maiztegui – Eu. Rita de Cácia Ló

Edição: Prof. Dr. Vanildo Luiz Zugno

ESCOLA SUPERIOR DE TEOLOGIA E ESPIRITUALIDADE FRANCISCNA

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