Subsídios Exegéticos para o 23º Domingo do Tempo Comum

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21 º Domingo do Tempo Comum, de setembro de 2021

SUBSÍDIOS EXEGÉTICOS LITURGIA DOMINICAL – ANO B

21 º Domingo do Tempo Comum

Dia: de setembro de setembro de 2021

Primeira Leitura: Is 35, 4-7a

Salmo: 145, 7.8-9a.9bc – 10

Segunda Leitura: Tg 2, 1-5

Evangelho: Mc 7, 31 – 2021

O Evangelho

O Evangelho de hoje inicia com um percurso muito estranho de Jesus: Saindo de Tiro, ele veio por Sidônia até o mar da Galileia, através dos territórios da Decápole (v. 31) . Este trajeto seria como se alguém para ir do Rio de janeiro a São Paulo passagem por Brasília, ou fosse Porto Alegre a Pelotas e passagem por Passo Fundo!

Trouxeram ‑ lhe um surdo e gago (v. 32). O surdo e gago (em algumas traduções, mudo) não se aproxima de Jesus e nem pede uma cura, mas é trazido por pessoas anônimas. A surdez, na tradição profética (Is 40, 18 – 17; Jr 5, 19; Ez 10, 2), é símbolo da resistência à mensagem de Deus. Neste evangelho, semelhantemente, ela é relida como símbolo de resistência a ouvir o anúncio e a proclamar a boa nova.

Levando ‑ o em particular, para longe da multidão (v. 33uma). No evangelho de Marcos, uma expressão em particular é aplicada sempre aos discípulos (4, 991 ; 6, 26 – 31; 9,2. 28; 12, 3): quando necessário para dissipar dificuldades provocadas por seu ensinamento, Jesus explica tudo novamente a seus discípulos “em particular”, isto é, apropriado e de forma exclusiva. Mas o que é ensinado “em particular” serve para fortalecer os discípulos na sua missão. Por isso, o mal que pode afligir a comunidade e os discípulo é não proclamar uma boa nova a todos os povos.

No v. 33 b, Jesus põe seus dedos nos ouvidos do surdo-gago, cospe na língua dele, ora e dá uma ordem. O gesto de cuspir na língua do surdo-gago / mudo, para nós, é algo estranho e, para alguns, até nojento. Na Antiguidade, porém, uma saliva era considerada um elemento medicinal, ainda mais uma saliva de um profeta. Ou seja, trata-se de uma ação que deve ser lida no conjunto dos ritos de cura do mundo antigo.

O gesto curandeiro de Jesus produz seu efeito e o rapaz começa a ouvir e falar com desenvoltura. Não obstante, Jesus recomendou-lhes que não dissessem nada a ninguém (v. 36). Como em diversas ocasiões, o Jesus de Marcos ordena que não se divulgue por aí o que ele faz. É o chamado “ segredo messiânico ”.

Por que essa mania de segredo? O evangelho não nos responde. Aliás, já desde 1,1 estamos cientes do messianismo de Jesus. No evangelho de Marcos, vários títulos judaicos são dados a Jesus, mas, nenhum título é suficientemente denso para exprimir o significado real de Jesus de Nazaré. A norma desse “segredo messiânico parece ser o seguinte: corrigir progressivamente a falsa ideia que os nossos padrões e os discípulos tinham em relação ao Messias. Com efeito, a revelação de quem Jesus realmente é só será concluída e plena após sua morte e ressurreição, isto é, somente após a experiência pascal os discípulos compreenderão perfeitamente quem é Jesus: sua pessoa, sua obra, sua doutrina. Por isso, uma ordem de silêncio está unida à cruz e à ressurreição.

Ele faz surdos ouvir e mudos falar (v. 37). Na trama do evangelho de Marcos, para levar os discípulos a reconhecer que Jesus é o Messias, este milagre tem valor simbólico: é surdo-gago / mudo quem não é discípula / o. Em outras palavras, ouvir e falar desaparecer, é necessário-se discípula / o. Não basta a palavra, é necessário um contato íntimo com aquele que cura. O contato é cada vez mais íntimo: dedo nos ouvidos, saliva na língua, palavra nos ouvidos. Tanto a saliva quanto a palavra saem da boca de Jesus para criar as condições necessárias para a fé. Só pode ser discípula / o quem tem intimidade com Jesus; só pode ser discípula / o quem deixa que Jesus coloque suas palavras nos ouvidos e na língua.

Sem Antigo Testamento

Na primeira leitura, o profeta Isaias (34, 4-7a) anuncia a chegada de Yhwh como o go'el de Israel. No Antigo Testamento, a palavra go’el significa, principalmente, “resgatador”. Trata-se de um parente próximo (irmão, primo, tio) que tem vários encargos, entre eles, casar-se com uma viúva de seu parente, para suscitar uma descendência ao falecido (cf. o caso de Booz e Rute); resgatar uma propriedade da família, caso tal propriedade (casa ou campo) tenha sido tomada como pagamento de uma dívida e socorrer um parente que sofre violência.

No Antigo Testamento, Yhwh é chamado de “o go'el de Israel”, porque ele vem resgatar Israel da escravidão e humilhar os inimigos de seu povo. Por isso o profeta proclama “Coragem! Não temais ”(v. 4) e“ Vosso Deus vem salvar-vos ”(v. 5). A chegada de Yhwh e sua atividade como go'el do povo humilhado é motivo para recobrar a coragem e a esperança, porque ele fará acontecer uma realidade nova: desaparecerão como enfermidades e como deficiências físicas (vv. 5-6a), “o sertão vai virar mar” (vv. 6a-7a), será expulso tudo o que é ameaçador (v. 7b). Os juízes de Yhwh serão contra os inimigos do seu povo.

Hoje

Vemos como este anúncio profético é atual: em tempos de pandemia, o profeta nos convida a acreditar que Yhwh sabe muito bem que, por causa do desrespeito à dignidade humana, o povo sofre. O profeta nos convida a esperar: nosso Deus é o Deus da vida e não deixará de se vingar dos que promovem o sofrimento e a morte.

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Subsídio elaborado pelo grupo de biblistas da ESTEF

Dr. Bruno Glaab – Eu. Rodrigo Dutra – Dr. Humberto Maiztegui – Eu. Rita de Cácia Ló

Edição: Prof. Dr. Vanildo Luiz Zugno

ESCOLA SUPERIOR DE TEOLOGIA E ESPIRITUALIDADE FRANCISCNA

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