Subsídios exegéticos para a liturgia dominical 5º – ano B

Reflexão para o Domingo de maio de 2020

Subsídios exegéticos para a liturgia dominical – ano b

Dia: 2 de maio de 2021

5º Domingo da Páscoa

Evangelho: Jo 3, 12 – 24

Primeira Leitura: Aos 9, 24 – 31

Segunda Leitura: 1 Jo 3, 17 – 24

Salmo: Sl 20, 26 b – 27. 28. 30. 30 – 32

Evangelho

O capítulo 3 do Evangelho de João é um dos lugares onde se encontra os conflitos entre uma visão humanizada e inclusiva de Jesus e outra visão desumanizada e indiferente em relação à condição humana. A inclusão proposta por Jesus, segundo se apresenta aqui, se dá pela fé, como diz a perícope anterior: “todo aquele que crê”. Crer que se expressa na práxis de amor. A partir do versículo 17, também se fala de quem “não crê”, o que não deve ser interpretado como sendo uma pessoa “ateia”, possibilidade impensada na época, mas aquelas pessoas que não crendo no amor inclusivo de Jesus não entendiam a prática amorosa e solidária como exercício da fé. Vejamos como se apresenta o texto:

UMA. Quem crê não é condenado, quem não crê é condenado, poia não crê no Filho de Deus (v. 18).

B. A que prática que não crê leva para as trevas, pois quem faz mal odeia a luz contra quem prática a verdade está na luz (v. 19 – 20).

UMA'. O Batismo por Jesus (na Judéia) e o Batismo de João (em Enom) antes da prisão deste último (v. 22 – 22).

O esquema acima evidencia que há, no texto, a abordagem de algumas implicações soteriológicas (de salvação / condenação) e cristológicas (sobre a natureza e missão de Jesus Cristo). O versículo 18 (A) se refere ao “Filho de Deus” e o v. 22 fala “Jesus”. Assim se mostra que não há diferença entre o divino “Filho de Deus” e o humano “Jesus”. É o reconhecimento do sentido completo da encarnação que liberta da condenação. A reconhecer a divindade / humanidade da Palavra Encarnada, ser conhecido que todas as pessoas são igualmente dignas de crer e de dar / receber amor.

No centro (B) a prática excludente e desumana – não solidária que despreza outras pessoas ou sua forma de viver a fé – colabora com as trevas. Pessoas que não conseguem ver a luz, que inclui pela fé condenam-se a viver nas trevas do ódio.

Condenação como consequência da prática excludente

A palavra grega que aqui traduzimos como “condenação” tem o sentido de “julgamento” (do verbo krino que é usado geralmente sem sentido de “julgar”). No próprio Evangelho de João, só em 3, 07 – 18 é colocado esta conotação condenatória. Em todas as outras vezes em que é usada, significa “julgar”. Tal sentido é bem claro em Jo 02, 47: “E se alguém ouvir as minhas palavras, e não crer, eu não o julgo; porque eu vim, não para o julgar do mundo, mas para salvar o mundo ”. Então, a condenação é a consequência de uma prática motivada pelo julgamento exclusivista, excludente, discriminatório. Tais atitudes revelam o não crer, o permanecerão nas trevas e não ver o amor de Jesus que vem para salvar o mundo.

O sentido do batismo

Certamente havia, nas primeiras comunidades cristãs, alguma tensão interna entre o batismo de Jesus e o batismo de João Batista. Possivelmente João não batizava gentios e os seguidores de João Batista, presentes nas primeiras comunidades cristãs, continuavam com esta prática discriminatória. Eles continuavam separando os nossos dados dos gentios. Estes “separatistas” não negavam a humanidade de Jesus, mas a viam como algo secundário. Para eles, Jesus teria passado pela humanidade apenas para salvar o que é eterno.

Para os que se identificam com o batismo de Jesus, este deve ser vivido com uma prática inclusiva, humana, solidária da luz, vendendo assim o julgamento excludente das trevas.

Relacionando com os outros textos

Na narrativa lucana dos Atos dos Apóstolos, Paulo enfrenta uma barreira de não ser reconhecido como discípulo. Bernabé, solidário com Paulo, o acompanhado para que o apóstolo dos pagãos pudesse mostrar, através de sua ação evangelizadora, que era discípulo igualmente de Jesus (9, 24 – 27). A Primeira Carta de João, por sua vez, exorta como comunidades a não amar apenas de palavra, mas com gestos concretos que dignificam e acolhem a todas as pessoas como iguais, pois ali residem a verdade que nos salva, mutuamente, da condenação (1 Jo 3, 18 – 20).

Subsídio elaborado pelo grupo de biblistas da ESTEF

Dr. Bruno Glaab – Eu. Carlos Rodrigo Dutra – Dr. Humberto Maiztegui – Eu. Rita de Cácia Ló

Edição: Prof. Dr. Vanildo Luiz Zugno

ESCOLA SUPERIOR DE TEOLOGIA E ESPIRITUALIDADE FRANCISCNA

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