Subsídios Exegéticos Para A Liturgia Dominical, 13º domingo do tempo Comum

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11 º Domingo do Tempo Comum 26 de junho de 2021

11 º Domingo do Tempo Comum

27 de junho de 2021

Evangelho: Mc 5, 18 – 43

Primeira Leitura: Sb 1, 13 – 15; 2, 23 – 23

Segunda Leitura: 2 Cor 8, 7.9. 12 – 17

Salmo: 27, 2.4.5-6 . uma.12 b

Particularidades da narrativa em Marcos em relação aos demais sinóticos.

Esta narrativa que inclui uma “Mulher com hemorragia” e “Jairo e Talita” apresenta uma construção particular. Possivelmente originada no Evangelho da comunidade de Marcos, também se apresenta nos outros sinóticos (Mt 9, 17 – 26, Lc 8, 40 – 56). Sendo assim, foi uma tradição comum, introduzida primeiramente por este Evangelho. Acontece que a comunidade de Mateus não se interessa tanto por esta narrativa e a apresenta de forma resumida, omitindo especialmente os detalhes referentes a Jairo (o diálogo com Jesus), os discípulos que acompanham ao aposento da menina e a ordem para que lhe dessem de comer , entre outros. Já Lucas se aproxima mais da narrativa da comunidade de Marcos, apenas omitindo as palavras em aramaico “Talita cumi” (Mc 5, 41). Então, qual seria a intensão da comunidade de Marcos e manter com tanta fidelidade esta costura narrativa ao ponto de incluir a expressão em aramaico?

A costura narrativa e o sentido da inclusão além do “senso comum”

Marcos 5, 17 – 43 apresenta dois milagres, ambos envolvendo mulheres, literalmente costurados em uma única narrativa, o que não pode ter sido por acaso. A costura é feita através de expressões estruturantes:

A- As apresentações – (v. 21 – 21 Jesus passa para “ o outro lado ”, encontra“ muita gente comum ”( óxlos polús ) em contraste como o“ chefe / primeiro / principal da sinagoga ”( archisunagógon ) “Jairo” que “cai aos seus pés”. No versículo 23 é apresentado a “ pequena / jovem filha ”( tugáter ). Jesus vai junto com este homem, sendo seguido / acolitado ( ekouloútei ) e “apertado” pela “muita comum gente”. “Uma mulher que tinha um fluxo de sangue há doze anos ” é apresentada. E logo se narra seu sofrimento, passando por muitos médicos ( iatros ), gastando / perdendo tudo o que tinha, e ficando ainda pior. Mas a chave simbólica não tem número de anos!

B – A primeira ação questionada pela presença da multidão – (v. 27 – 29) Dá-se a primeira ação : a mulher anônima se apropria da bênção tocando nas vestes. Aqui aparecem novos personagens: os discípulos, que questionam Jesus sobre a reação após ser tocado pela mulher.

C – Um exemplar de fé da pessoa que excluída que se torna filha – (v. 34 – 33) A mulher conta o que fez e sua fé é reconhecido por Jesus, chamando-a de “pequena / jovem filha” (o mesmo termo usado para uma filha de Jairo em 5, 21).

B '- (v. 33 – 37) – A segunda ação questionada pela morte da filha – Chega a notícia da morte que a “ pequena / jovem filha ” está morta e, diante do que as pessoas da sinagoga questionam sobre a necessidade de “incomodar o Mestre” (em Marcos, Jesus é chamado de “Mestre” 11 vezes, leve apenas atrás de Lucas, 17 vezes). Com o apelo à fé (que a mulher já demostrou ter): “não tenhas medo, somente crê” (v. 35 b ) Escolhendo, os mesmos discípulos que lhe acompanham no monte da transfiguração (v. 37; cf. 9,2).

A '- (v. 36 – 41) – A apresentação da menina / mulher – Agora a “pequena / jovem filha ”é chamada, por primeira vez, de“ menina ”( paidou ), o que corresponde ao termo aramaico“ Talita ”(v. 37. 40. 41). Mencionando que a menina tinha doze anos , isto é, estava se tornando “mulher” (próxima ao tempo da menstruação).

Como vemos na descrição da costura narrativa apresentada acima, ela carrega o enfrentamento da incompreensão do sentido inclusivo da fé. A situação apresentada por estas mulheres / filinhas e seus desdobramentos é uma forma de Jesus ensinar isso, por isso é chamado de Mestre ( didaskalon ) . O número doze uma e ambas as ações, o grupo dos discípulos e, portanto, uma missão da comunidade de Jesus como um todo. É uma lição que se aprende a partir das pessoas anônimas, quando se está no meio das pessoas simples, quando se atravessa “para outro lado”, daquilo que o “senso comum” (o que geralmente é aceito como “normal” ou “possível ”). Daí os questionamentos tanto do grupo de discípulos quanto do grupo da sinagoga. Se for processo, então, o direito de ir além do senso comum! A mulher, embora tremendo de medo, se atreve a tocar nas vestes e tem sua fé reconhecida como capaz de promover cura, vida e inclusão. O chefe da sinagoga tem de suplicar, superar o medo, ter fé, para que sua filinha seja salva, o que só acontece quando Jesus revela a capacidade de levantar por si mesma, assumindo, inclusive, sua identidade e ancestralidade cultural, aramaica, daí a importância da expressão: “Talita cumi”.

A relação com os outros textos para este Domingo

O livro de Sabedoria aponta para o sentido vital de tudo criado, inclusive tendo sentido terapêutico, assim como o sentido vital da existência humana. No entanto, este princípio sapiencial só é possível quando as pessoas antes excluídas, silenciadas, mantidas no anonimato, são reconhecidas em suas ações, que se atrevem a furar o cerco da exclusão e se negam a aceitar a morte como realidade insuperável. Na Segunda Carta aos Coríntios, neste sentido, chama a atenção a sensibilidade da igreja dos primeiros tempos em relação a exclusões e desigualdade a serem superadas pelo “sincero amor”, quando afirma: “Não se trata de que outros vivam tranquilamente vocês, ea falte, mas que haja igualdade ”(2 Cor 13 – 14uma).

Subsídio elaborado pelo grupo de biblistas da ESTEF

Dr. Bruno Glaab – Eu. Carlos Rodrigo Dutra – Dr. Humberto Maiztegui – Eu. Rita de Cácia Ló

Edição: Prof. Dr. Vanildo Luiz Zugno

ESCOLA SUPERIOR DE TEOLOGIA E ESPIRITUALIDADE FRANCISCNA

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