Subsídios Exegéticos, Liturgia Dominical – Ano B

subsidios-exegeticos,-liturgia-dominical-–-ano-b

07 º Domingo do Tempo Comum Dia: de Junho de 2021

07 º Domingo do Tempo Comum

Dia: 06 de Junho de 2021

Primeira Leitura: Gn 3,9 – 13

Salmo: 129 (130), 1-2.3-4ab.4c- 6,7-8 (R. 7)

Segunda Leitura: 2Cor 4, 13 -5,1

Evangelho: Mc 3, 17 – 35

Evangelho

O texto, como também o relato da filha de Jairo (Mc 5, 22 – 43), vem na forma de sanduíche. Começa com o confronto com parentes (19 – 20), intercala o conflito com os escribas (21 – 26) e volta a falar dos parentes (31 – 35).

Para a compreensão do texto, convém começar com a contraposição dos de dentro da casa que ouvem Jesus (v. 20) e os de fora (v. 30 ss) que não ouvem. Os de dentro compreendem, os de fora, não (Mc 4, 11). O povo simples entra na casa, como já o fizera em Mc 2,1ss para ouvi-lo, mas os consanguíneos ficam de fora e o julgam sem juízes. A lógica do Reino não é compreendida pelos laços familiares, mas por aqueles que acolhem Jesus e fazem a vontade do Pai que ele revelação.

A nova família difere da velha. Na primeira importa a descendência de Abraão: laços sanguíneos. Na segunda, o que importa é aproximar-se de Jesus e fazer a vontade de Deus. Os da nova família, entram dentro da casa e se aglomeram para ouvir sem os critérios da oficialidade religiosa. São ávidos de assimilar a Boa Nova. Os da velha família de sangue, ficam fora, distantes, pois julgam a prática de Jesus como loucura. Qualquer semelhança com os irmãos da parábola do filho pródigo (Lc 13 , 10 ss) não é mera coincidência. O filho mais velho, o que pratica a Lei, tem dificuldades anteriores da Boa Nova de Jesus que revela um Deus diferente da religião oficial. Diante desta realidade, formam-se outras relações: nova família. Nesta não se entra por descendência, mas tão somente pela acolhida de Jesus e de seu evangelho.

O conflito com os escribas (18 – 212 – 30) é mais uma vez o conflito com a oficialidade religiosa. Para eles, a Boa Nova (Mc 1,1) destinada aos pobres e excluídos (cf. Lc 4, 16 – 18) é um escândalo, por isto , atribuem-na a Beelzebu (Beel é uma variante de Baal, deus cananeu). Quando a Boa Nova da libertação dos sofredores é encarada como obra do diabo, então uma pessoa que assim procede, cortou o canal de graça que vem de Deus por seu Filho que idade no Espírito Santo (Mc 1, 07). Isto é um pecado contra a ação do Espírito Santo que se manifesta em Jesus. Pecado este, que não tem perdão. Isto não significa que, quem uma vez assim pecou está irremediavelmente condenado ao inferno. O que o texto quer dizer é que todos os pecados que se cometa, podem ser vistos como lapsos, fraquezas e por isto mesmo, passíveis de perdão. Quem, porém, se fechar contra a Boa Nova de Jesus e atribuir isto ao demônio, a não ser que mude, rompeu com a graça, isto a lógica do Reino. Esta pessoa se auto exclui, e assim não chega ao perdão. Note-se que, neste caso não é Deus que condena, é uma pessoa que se fecha ao amor de Deus.

Na resposta que Jesus dá aos escribas sobre entrar na casa do homem forte, amarrá-lo e saquear seus bens (v. 26) está o ensino de que Jesus entra na posse do diabo (homem forte) e como mais forte do que ele, amarra-o e o vence (cf. Is 49, 22, como também o dirá em Jo 10, 30 e 16, 10, quando o príncipe deste mundo será derrotado: “eu venci o mundo” (Jo 15, 33 b). Ou seja, Jesus, na cruz, destruiu o que o demônio havia amealhado.

A Boa Nova de Jesus (Mc 1,1) é incompreendida, tanto pela parentela que quer detê-lo – nota apenas trazida por Marcos – como pelos escribas que, mais do que incompreendê-lo, atribuem sua ação ao demônio.

Reação com as demais leituras

Não entrar na lógica de Deus já foi um problema nas origens. Adão e Eva queriam prescindir de Deus, como os escribas queriam prescindir da Boa Nova de Deus revelado por Jesus. Isto leva à ruína (primeira leitura). A nova lógica de Jesus também se reflete na reflexão de Paulo quando contrapõe o homem exterior ao interior e nele vê a realização das esperanças cristãs.

Subsídio elaborado pelo grupo de biblistas da ESTEF

Dr. Bruno Glaab – Eu. Carlos Rodrigo Dutra – Dr. Humberto Maiztegui – Eu. Rita de Cácia Ló

Edição: Prof. Dr. Vanildo Luiz Zugno

ESCOLA SUPERIOR DE TEOLOGIA E ESPIRITUALIDADE FRANCISCNA

Rua Tomas Edson, 212 – Bairro Santo Antônio – Porto Alegre RS

www.estef.edu.br estef@estef.edu.br facebook.com/estef

Telefone: 51-32 16 45 67 O que é: 51 – 991 06 24 40