Subsídios Exegéticos do domingo 01 de agosto 2021

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Liturgia Dominical – Ano B – 16 º Domingo do Tempo Comum

Subsídios Exegéticos – Liturgia Dominical – Ano B – 18 º Domingo do Tempo Comum – Dia 1º de agosto de 2021

Primeira Leitura: Ex 13, 2-4. 07 – 15

Salmo: 77, 3.4bc. 23 – 24. 25. 54

Segunda Leitura: Ef 4, 15. 18 – 24

Evangelho: Jo 6, 23 – 77

Evangelho

O texto vem na sequência da multiplicação dos pães e do caminhar sobre as águas (6,1 – 20). Assim sendo, pode-se ver os versículos 18 – 67 – 25 como transição entre estes relatos e o discurso do pão da vida (6, 26-51uma). A multidão que procura Jesus, não entendeu o sinal da multiplicação dos pães. Os saciados viram o milagre apenas no sentido material. Não foram capazes de transcender. Ao querer torná-lo rei (v. vida fácil, uma religião mágica. Buscaram em Jesus a solução de seus problemas, sem assimilar seu projeto de vida e se comprometer com ele. A luta pelo pão é necessária, mas não de forma mágica. Entender o gesto de Jesus e aderir pela fé (v. 28) é não esperar um milagre, mas entrar na lógica dele e com ele construir uma sociedade onde já não falte o pão para ninguém. Se este projeto já existia em vigor, todos comeram o pão e Jesus nem precisaria multiplicar o pão.

Jesus não cede ao pedido dos que o procuram em vista do milagre. Ele os conduz a outra realidade: procurar o alimento para a vida eterna (v. 27). Ele inaugura uma nova realidade, novas relações com Deus e com as pessoas. Nesta nova realidade, o pão será partilhado (doze cestos – 6, 13) e esta realidade conduz à vida eterna. Para que esta nova realidade aconteça, não se requer obras, como na lógica de Moisés (v. 27), mas uma só obra : crer em Jesus, o enviado, o que tem o selo do Pai (v. 29). Porém, crer é mais do que saber o que ele ensinou, mas é aderir e se envolver no seu programa de vida.

Os interlocutores de Jesus ainda não entendem o sinal do dia anterior. Querem mais um sinal (v. 30). Aludem a Moisés (v. 31). Muita semelhança com certas pretensões hodiernas que querem testar cientificamente as verdades da fé. João se vale deste desejo para transmitir seu ensino. O verdadeiro alimento não foi o maná, mas o pão doado por Jesus, isto é, sua vida. Deus, por meio de Moisés, deu o maná, mas por meio de seu filho, que desceu do céu, deu o verdadeiro alimento para a vida do mundo. O maná, dado aos israelitas, é prefiguração do que o Pai realizou na pessoa de Jesus, a plenificação da revelação de Deus. Nele se realiza totalmente o projeto do Pai que conduz à vida plena que inicia aqui e culmina na eternidade. O maná foi o alimento que possibilitou ao antigo povo chegar à terra prometida, onde pode ganhar o pão com o suor de seu rosto. A multiplicação também deveria ser vista como uma transição para uma nova realidade, onde não faltasse o pão a ninguém. O verdadeiro pão que Jesus dá, não era aquele da multiplicação, mas o espírito resultante: a partilha e o compromisso de todos com todos

João, de forma pedagógica, como já o fizera no diálogo da samaritana, também aqui aponta para uma proposta de Jesus não é entendida. A samaritana quer água para lhe facilitar a vida (4, 15), os interlocutores pedem deste pão com o mesmo intuito (v. 34).

O v. 35 coroa esta lição. Não se trata de um determinado pão, mas do próprio Jesus que, aceito na fé se torna a realização plena dos anseios humanos. Fome e sede saciados são sinais messiânicos (Is 55, 1ss). Aqui, porém, o pão ainda não é uma referência à eucaristia, que só se expõe a partir de 6, 51. O pão aqui é o símbolo do ensino e da sabedoria de Deus (Pv 16 , 3; Eclo 12, 3; 23, 21 (28. Portanto, aderindo a Jesus, pela fé, realiza-se a vida plena desejada pelo Pai, simbolizada pela não fome e não sede (v. 35).

Relação com as outras leituras

Tanto a primeira, como uma segunda leituras apelam à conversão. Em Ef 4, 16 se exorta a não viver como os pagãos. Em Ex 16 se mostra que, ao coletar o maná, havia gananciosos que queriam acumular (15, 54, 13WL). Moisés, como Paulo exortam a evoluir no compromisso da fé. Nenhum evangelho percebe-se um crescendo: procura por pão, o que fazer para trabalhar nas obras de Deus, para ouvir de Jesus que se deve superar tudo isto é aderir totalmente ao Filho, o enviado do Pai. Conversão é, antes de tudo, mudança de mentalidade.

Subsídio elaborado pelo grupo de biblistas da ESTEF

Dr. Bruno Glaab – Eu. Carlos Rodrigo Dutra – Dr. Humberto Maiztegui – Eu. Rita de Cácia Ló

Edição: Prof. Dr. Vanildo Luiz Zugno

ESCOLA SUPERIOR DE TEOLOGIA E ESPIRITUALIDADE FRANCISCNA

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