Subsídios Exegéticos 12º Domingo do Tempo Comum

subsidios-exegeticos-12o-domingo-do-tempo-comum

Liturgia Dominical – Ano B – 14 de junho de junho de 2021

Subsídios Exegéticos 11 º Domingo do Tempo Comum

Primeira Leitura: Jó 38, 1.8 – 11

Salmo: 106, 23 – 24. 25 – 26. 28 – 28. 29 – 31

Segunda Leitura: 2Cor 5, 12 – 14

Evangelho: Mc 4, 35 – 41

No início da perícope Marcos se preocupou em criar uma ligação com a cena anterior da grande pregação no lago. A barca com a qual Jesus atravessa o lago é a mesma que havia ali servido servido de púlpito. Como outras barcas presentes não serão mais mencionadas. A tarde que termina (escuridão que chega) funciona como pano de fundo eficaz ao relato.

O milagre da tempestade acalmada evoca a luta primordial de Deus contra o oceano, concebido no Antigo Testamento como aquele que devorava os seres humanos, submergindo-os no abismo. Somente Deus pôde domá-lo com sua onipotência quando criou o mundo. Por isso a primeira leitura traz o discurso que o Senhor faz a Jó.

O relato apresenta numerosas afinidades com a história de Jonas e relaciona-se com salvações milagrosas proclamadas no Sl 106. Na descrição é recorrente o motivo do poder do Senhor sobre ondas, tempestades e sobre o mar, repetidamente descrito e celebrado no Antigo Testamento. Domina a ideia que Deus salva da angústia: “Na sua angústia invocaram o Senhor, e Ele salvou-os da aflição. Transformou o temporal em brisa suave, e as ondas do mar amainaram ”(Sl 106, 26).

Literariamente a perícope tem afinidades com o relato do primeiro exorcismo operado por Jesus na sinagoga de Cafarnaum (1, 20 – 28). Os elementos, vento e água, se rebelam. Jesus ordena que se acalmem e eles obedecem. Temos aqui um autêntico exorcismo sobre as opções “diabólicas” do vento e do mar.

O episódio assume um forte sentido cristológico: Jesus será submerso na tempestade da Paixão, a sua morte é aqui simbolizada pelo sono. Uma tempestade acalmada preludiava sua vitória sobre a morte. Cristo ressuscitado salva a humanidade das jornadas de abismo, doando a vida eterna.

Com a tempestade, derrotada em detalhes, a barca é ameaçada de afundar. Em contraste com tudo isso, Jesus dorme na popa do barco. Seu sono é expressão da sua sóbrio e segurança. Contrariamente a Jesus, os discípulos estão excitados e o acordam com uma imprecação.

Além do acentuado caráter cristológico, percebe-se no relato uma intenção eclesiológica. A repreensão pela falta de fé dirigida por Jesus aos discípulos que estavam com ele na barca é endereçada pelo evangelista aos cristãos da sua comunidade desacorçoados no seu amor a Cristo. Note-se que a repreensão de Jesus no v. 40: “Por que tendes medo? Ainda não tende fé? ” soa como resposta à repreensão que os discípulos adquiridos dirigido a ele anteriormente (v. 35): “Mestre, não te importa que pereçamos?”

Com os vers. 39 – 41 chega-se à culminação do drama. Jesus não reage ainda à bronca dos discípulos, mas pronuncia a palavra milagrosa. Aqui a tempestade e o mar são interpelados como seres viventes e lhes é ordenado de acalmarem-se.

É importante observar que a autoridade atribuída no Antigo Testamento a Javé (uma prerrogativa de aplacar exclusiva como tempestades era do Criador), é meio concedida a Jesus, o qual não faz acontecer o prodígio por de uma oração, mas pela plenitude do seu poder. Somente depois de haver completado o milagre Jesus se dirige aos discípulos. Lamentando-se pela sua pusilanimidade e incredulidade. Onde está, então, uma verdadeira falha dos discípulos? O seu erro consiste em pensar somente em si e não estarem prontos a compartilhar os perigos entre eles e Jesus. A situação se repetirá na sua fuga da Cruz. No comportamento de Pedro em Mc 8, 32 s se exprime o mesmo espírito.

Os discípulos aprendidos por Marcos tornam-se um exemplo de publicidade para uma comunidade não cair não mesma incredulidade.

A incredulidade inicia quando os cristãos, por pusilanimidade e medo, não estão disponíveis a assumir os perigos junto com Jesus e com as outras pessoas. Quem crê segue Jesus na obscuridade do sofrimento. Assim, pode também esperar em comunhão com a Igreja.

Subsídio elaborado pelo grupo de biblistas da ESTEF

Dr. Bruno Glaab – Eu. Carlos Rodrigo Dutra – Dr. Humberto Maiztegui – Eu. Rita de Cácia Ló

Edição: Prof. Dr. Vanildo Luiz Zugno

ESCOLA SUPERIOR DE TEOLOGIA E ESPIRITUALIDADE FRANCISCNA

Rua Tomas Edson, 212 – Bairro Santo Antônio – Porto Alegre RS

www.estef.edu.br estef@estef.edu.br facebook.com/estef

Telefone: 51-32 17 45 67 O que é: 51-991 26 40