Subsídio para o 4º domingo da Páscoa

Subsídios Exegéticos para a Liturgia Dominical – Ano B – 24 de abril de 2021

4º Dom. da Páscoa

Dia: 25 de abril de 2021

Primeira Leitura: Às 4,8 –

Salmo: 117, 1 e 8-9. 21 – 23. 26. 28CD.29

Segunda Leitura: 1Jo 3, 1-2

Evangelho: Jo , 10 – 18

No contexto jubiloso da festa das Tendas, o evangelista completa a messianidade e identidade sobrenatural de Jesus. Na seção 7,1 – , 18 há um progresso na revelação do mistério de Cristo, concomitante ao agravamento da hostilidade contra ele da parte das autoridades judaicas. As articulações mais relevantes são três: o debate no templo (7,1–8, 59); a cura do cego de nascença (9,1 – 41); o discurso de Jesus sobre o bom pastor (, 1 – 18).

Os chefes dos sacerdotes adquiridos expulso o cego curado (9, 34), mas ele é acolhido por Jesus (9, 35 – 38), o bom pastor que ama e guia com solicitude. A imagem do verdadeiro pastor, que ocorre frequentemente nas Escrituras (Ez 34; Jr 29; Jr 22, 1-6; Zc , 4- 16, é aplicável a Jesus também nos sinóticos (Mc 6, 34; Mt 9, 36; 11, 6; 13, 23; 25, 31). Note-se uma sugestiva parábola da ovelha perdida (Lc 14, 4-7). Jo reelabora de modo original esse tema da pregação de Jesus.

Nos vers. 11 – 12 protegidos ilustrada a imagem do pastor. Jesus se identifica duas vezes com o bom pastor (vers. 10. 13) em contraposição à figura do mercenário. O adjetivo grego é kalós (literalmente “belo” = “ideal”, “bom”, “generoso”), que, significando secundariamente “bom”, tem como sentido primário “belo”. Jesus é o “belo pastor” à maneira de Davi, como se lê em 1Sm 16, 10 – 12. Nesse episódio do Antigo Testamento, Samuel pergunta a Jessé pelo filho ausente. Jessé responde: “está apascentando as ovelhas”. Samuel ordena que Davi seja chamado. “Jessé mandou então buscá-lo. Davi era de belo semblante e admirável presença ”.

Ó bom pastor , “se despoja ( tithēsin) de sua vida pelas suas ovelhas ”, ao invés de“ dar a vida ”. A terminologia também é usada para as vestes de Jesus na Ceia com os discípulos (13, 4 ) O termo acentua, de modo particular, a liberdade e a voluntariedade e, ao mesmo tempo, o amor e a generosidade. A expressão “despoja” ( tithēsin ) , revelação à consciência e a liberdade com as qual Jesus “se despoja” da própria vida como uma veste (12, 4. 10) para depois retomá-la na ressurreição. Ele expõe a sua vida pelas ( hiper , em favor) suas ovelhas. Em homenagem, o comportamento do mercenário se contrapõe radicalmente ao bom pastor.

O evangelista segue a bondade do Pastor / Jesus com uma segunda motivação: ele além de expor a sua vida por suas ovelhas, conhece-as, ou seja, ama-as profundamente. Entre o Pastor e as ovelhas subsiste uma comunhão de vida, que possui como modelo o amor recíproco com o Pai. Na linguagem semítica, o sentido de “conhecer” ultrapassa o sabre cognitivo, indicar uma experiência concreta de relacionamento íntimo. Este “conhecimento” é desde agora, para nós, a vida eterna (2ª. Leitura 1Jo 3,2).

O v. 16 introduz o tema da salvaguarda universal: todos os povos formarão um só rebanho. A comunidade messiânica será composta por todos aqueles que escutarão a voz de Jesus, crendo nele. O texto fala em mia poimnē, “um rebanho”. Não se diz “um só aprisco”, porque a unidade não é considerada do ponto de vista externo e institucional, mas interior e dinâmico ( genēsontai “haverá”, literalmente “se tornarão)

Nos vers. 17 – 18 aparece a ideia da plena adesão de Jesus à vontade do Pai. Jesus despoja-se de sua vida com uma certeza de poder retomá-la de novo. Nos sinóticos é o Pai que “entrega” o Filho. Em João, Jesus mesmo apresenta-se perdida sua vida. Ele possui o poder de doá-la, mas também o poder / direito de resgatá-la.

A liturgia do 4º. Dom de Páscoa com a 1ª leitura (Aos 4, 10) e Sl 117, 21, ao elencar o tema da pedra rejeitada que se torna pedra angular faz uma nítida alusão à ressurreição de Jesus.

Subsídio elaborado pelo grupo de biblistas da Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana – ESTEF

Dr. Bruno Glaab – Eu. Rodrigo Dutra – Dr. Humberto Maiztegui – Eu. Rita de Cácia Ló

Edição: Dr. Vanildo Luiz Zugno