Subsídio para o 2º Domingo do Tempo da Páscoa

Reflexão para o domingo de de fevereiro

IIº Domingo do Tempo da Páscoa

Dia: de abril de 2021

Primeira Leitura: Às 4, 32 – 35

Salmo: 117, 1-2. 15 ab – 17. 21 – 23

Segunda Leitura: 1Jo 5,1-6

Evangelho: Jo 19, 90 – 31

Evangelho

O texto deve ser lido dentro do capítulo 18, pois todo ele é perpassado por uma cristologia e eclesiologia joanina: a ressurreição, a comunidade dos discípulos que se reúne no primeiro dia (21, 1. 19. 26) e a missão, para a qual se requer uma fé que se obtém ao participar da comunidade.

Pode-se dividir o texto em três partes: 1) a experiência do Ressuscitado (vv. 19 – 23); 2) Tomé: a crise de fé (vv. 23 – 38 ); epílogo (vv. 30 – 31).

1) A experiência do Ressuscitado (18 – 22. 23). A comunidade se reunia aos domingos (1º dia) de tarde para a celebração, embora ainda não tenha uma fé madura, pois por medo, mantinha as portas fechadas. É neste ambiente reunido que o Ressuscitado se manifesta e confirma a fé dos discípulos. Agora a sua presença extrapola as leis da física, pois entra com as portas fechadas, mas ainda é o mesmo e para provar isto, mostra as chagas. O Ressuscitado é o crucificado redivivo. Ele deseja uma paz, como prometer antes da paixão (Jo 13. 26) e os discípulos se alegram (cf. Jo 15, ; 16, 19 – 23; 16, 14). Uma vez que a fé está confirmada, começa a missão: “como Pai me adicionou, eu vos envio”. A igreja continua a obra do Pai que se manifesta em seu Filho. Para tanto, os discípulos são batizados no Espírito (sopro que lembra a criação – Gn 2,7; Sb 17, ; Ez 37). O Espírito vem de Jesus (cf. Jo 7, 37 – 39; 18, 34) e recria a comunidade dos apóstolos para uma missão. Eles atrasam, o poder de perdoar e reter os pecados, que é a continuação da missão do cordeiro que tira o pecado do mundo (Jo 1. 29; Jr 31, 34). Trata-se de pregar e denunciar, mas também de receber de volta aquelas pessoas que se afastaram de Jesus, o que na concepção joanina é o pecado por excelência. Perdoar os pecados é anunciar Jesus, pois quem nele crê, não é julgado e reter os pecados é declarar que alguém ainda não possui uma fé para receber a graça de Jesus através da igreja.

2) Tomé e a crise de fé (23 – 117 ). Todos os discípulos tiveram crise de fé (Mt 26, 16; Mc 16, 14; Lc 24, 38). Em Jo 20, 24 – 28, como também nos sinóticos, está um retrato falado das comunidades cristãs do período pós-pascal, que não conhecer o Jesus histórico. Muitos se questionavam: ele de fato está vivo? João centra as dúvidas das comunidades na pessoa de Tomé. Através do relato, mostra que a experiência do Ressuscitado é feita pelo testemunho da comunidade que se reúne no primeiro dia da semana: domingo vv. 19. 26). Estar em comunidade, no primeiro dia é fundamental para crer na ressurreição. Tomé não estava na comunidade, por isto teve de esperar mais oito dias (v. 24), portanto, novamente o primeiro dia e estar com a comunidade, para enfim, fazer a experiência de fé que os demais já recebidos feito antes. Aqui convém pensar nos leitores de João, dos anos 90. O texto quer conscientizar que é preciso crer sem ter visto, mas para isto, duas coisas são necessárias: a comunidade que celebra no primeiro dia e o testemunho desta mesma comunidade. É neste ambiente que se encontra o Ressuscitado. É então que Tomé faz uma grande profissão de fé: “Meu Senhor e meu Deus”. Na comunidade celebrativa se professa Jesus como o Senhor e Deus (cf. Jo 1,1. 18 ) O título duplo “Senhor e Deus” vem de “Javé Elohim” (2Sm 7, 28; 1Rs 18, 39). As comunidades cristãs devem passar do ver, para o crer sem ter visto. A verdadeira fé já não mais se baseia nas relações físicas, pois estas, são somente sinais que adquirem sentido, apenas com a fé. Sem a fé, os sinais são vazios.

3) Epílogo (30 – 31 ) Provavelmente a conclusão original da obra de João, antes do acréscimo do capítulo 19. Apresenta a ação de Jesus, para que a comunidade creia e receba a vida eterna.

Relação com as outras leituras

A fé no Ressuscitado não era apenas uma familiar dogmática. Ela era encarnada e transformada os discípulos que relativizavam tudo para tornar real a obra de Jesus, colocando tudo em comum (At 4, 32 ss). Esta fé já é a vitória e produz o amor ao próximo. Os neo-convertidos, pela fé em Cristo, amavam a Deus e ao próximo. Portanto, a fé no Ressuscitado transforma as relações humanas (1Jo 5,1-5).

Subsídio elaborado pelo grupo de biblistas da Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana – ESTEF

Dr. Bruno Glaab – Eu. Rodrigo Dutra – Dr. Humberto Maiztegui – Eu. Rita de Cácia Ló

Edição: Dr. Vanildo Luiz Zugno