Subsidio para 31º Domingo do Tempo Comum

Subsidio para 31º Domingo do Tempo Comum

Ano B – Domingo 31 de outubro 2021

LITURGIA DOMINICAL – ANO B

31 º Dom. T. Comum

Dia: 31 de outubro de 2021

Primeira Leitura: Dt 6,2-6

Salmo: 14, 2-3.4. 47. 50 – 51 ab

Segunda Leitura: Hb 7, 23 – 51

Evangelho: Mc 11, b – 31

O Evangelho

Na visão de Mc, o caso particular que bom escriba representa é o congresso em sua peculiaridade. Inserida em relatos que discutem e confronto com oponentes hostis (cf. 12, 35. 38), a perícope mostra como um deles, com seu comportamento razoável, se distancia de seus colegas que rejeitam Jesus.

Antes de mais nada, as palavras da passagem sobre o culto adquirem uma dureza dentro do texto integral do Evangelho. Elas são pronunciadas na praça do templo, depois que Jesus o purificou dos vendedores e cambistas. Ao colocar uma passagem no final dos diálogos, Mc enfatiza o significado positivo do amor a Deus e do amor ao próximo como a quintessência do ensino ético de Jesus. Quem ama a Deus com todas as suas opções e ao próximo como a si mesmo, está perto do reino de Deus que começa a ser realizado com a presença de Jesus. A pessoa não precisa mais de holocaustos e sacrifícios sangrentos para aproximar-se de Deus, mas deve se perguntar: quem é apelidado deste Jesus?

O escriba que se aproxima de Jesus é apresentado como uma criança nos diálogos anteriores. O que ele é o impressionou e agora o leva a fazer uma pergunta a Jesus, mas não para tentá-lo como acontece em Mt 22, 35. Ele não pergunta qual é o primeiro mandamento da Lei (como Mt 17, , 35), mas qual é o primeiro de todos os mandamentos (note-se em Lc 10, 25 uma questão totalmente diferente). Ele quer saber se pode identificar uma quintessência do que constitui a vontade de Deus.

Em sua resposta, Jesus primeiro cita Dt 6,4s, uma profissão de fé no único Deus com o mandamento do amor a Deus. Uma frase “Ouve, Israel”, enfatiza no AT o pensamento da singularidade de Yahweh no sentido que Deus é único contraste com as muitas divindades dos povos pagãos, ou nenhum sentido de que há apenas um só Senhor em contraste com os muitos lugares diferentes de culto e das tradições de Yahweh que se diferenciavam entre si.

O amor por Yahweh foi uma reação ao amor que Deus manifestou ao seu povo com a sua guia amorosa. No Deuteronômio, ele foi visto em analogia ao amor de filho. Em Oseias, em analogia ao amor conjugal. Na recitação deste texto – dito shema (escuta) -, que no tempo de Jesus todo israelita do sexo masculino tinha que pronunciar de manhã e à noite, se pensa com gratidão na eleição do povo. Uma mudança de acento ocorreu na citação de Dt 6,5. Enquanto o texto hebraico fala de coração, alma, força, Marcos apresenta uma série de quatro termos e, em vez de dynamis , usa dois termos derivados da área racional e psicológica. A dianoia enfatiza a força do intelecto. O termo ischys tornou-se uma palavra de natureza psíquica que designa todas as cortinas da alma. Amar o único Deus com todas as opções e aptidões é a sintética suprema da vontade de Deus. Jesus adiciona um segundo mandamento, o amor ao próximo. É verdade que em Mc este não está uniformado ao primeiro mandamento como em Mt 17, 39 ( homoia aut ē ), mas a justaposição dos dois prepare a mesma avaliação. O amor a Deus e o amor ao próximo aparecem como uma densa explicação das duas tábuas da Lei.

O escriba concordou com Jesus com duas expressões de nítido teor grego ( kalōs, ep ’alētheias ). Variando e abreviando, ele repete a resposta de Jesus. Ao fazer isso ele enfatiza, em primeiro lugar, a singularidade de Deus. Em segundo lugar, identificação o amor a Deus e o amor ao próximo. Sua equivalência é expressa ainda mais fortemente. É singular a introdução de um novo termo ( sínese substitui psychē e dianoia do v. 30), o que novamente recupera o aspecto intelectual.

A postura do escriba aparece como um comentário que sofre a questão por meio de um acréscimo que atribui ao amor de Deus e ao próximo um valor mais alto do que todos os holocaustos e sacrifícios sangrentos. Com isso o culto no templo não vem abrogado, mas é completado relativizado.

Em Mc essa observação adquire produzida porque é feita por um teólogo judeu na praça do templo, ou seja, no local do sacrifício. Jesus observa a inteligência ou razoabilidade ( nounechōs ) da resposta e elogia muito o escriba. Se Jesus certifica que o doutor da lei não está longe do reino de Deus, significa que Jesus é emitido como o Mestre que possui autoridade e está autorizado a pronunciar tal julgamento. O reino de Deus aparece como uma entidade presente, do qual convém recordar que em Marcos tem um caráter cristológico (cf. 4, 11).

Poder-se-ia esperar um chamado ao seguimento. Não é por acaso, no entanto, que isso está faltando, porque a preocupação central do diálogo é encontrada pelo acordo entre a concepção de Jesus e as proposições fundamentais da fé judaica. Não há obstáculo fundamental para o judeu que o impeça de se juntar a Jesus. Note-se a ênfase no aspecto racional deste acordo. A observação passageira de que ninguém mais ousava questionar Jesus possui um caráter polêmico. Não depende de Jesus se nós não conhecemos o acesso a ele, na grande maioria, o rejeitam. Qualquer judeu aceitar aceitar as pré-condições de seu ensinamento.

A insistência da Igreja primitiva sobre o mandamento do amor como pleno cumprimento da Lei (Rm 13, 10; Gl 5, 13; Mt 7, 12) brota do ensinamento de Jesus e do seu exemplo de dedicação total, até o dom da vida pela salvação da humanidade. Ele revelou o verdadeiro amor de Deus e o tornado acessível à pessoa de fé. Essa, unida a Cristo, pode experimentar a beleza do Reino e viver antecipadamente no seu cotidiano a satisfação de uma vida fraterna / sororal, inspirada no exemplo de Jesus.