Quarto Domingo do Tempo Comum

Subsídios exegéticos Liturgia dominical – Ano B – 27 de janeiro de janeiro de 69 de janeiro de 2021

Quarto Domingo do Tempo Comum

Dia: 28 de janeiro de 2021

Primeira Leitura: Dt 15, 12 – 20

Salmo: 94, 1-2.6-9

Segunda Leitura: 1Cor 7, 32 – 212

Evangelho: Mc 1, 16 – 27

No Evangelho de Marcos, Jesus inicia sua atividade em público com um exorcismo. Marcos inicia a perícope com dados situacionais: Cafarnaum, sábado, sinagoga. No v. 18 é constatado o ensinamento cheio de autoridade de Jesus e a reação de quem o escuta . No entanto, nada se diz sobre o conteúdo do ensinamento. É nítido o contraste / confronto com o ensinamento dos escribas. A doutrina autorizada de Jesus, que ultrapassa a doutrina dos escribas, pode fundar-se sobre o fato que Jesus fala por autoridade direta, enquanto que os escribas simplesmente explicam a Lei e a tradição.

Os vers. 23 – 28 contam uma clássica história de exorcismo, elementos essenciais são: entrada em cena do endemoninhado, tentativa de defesa, ordem e expulsão por parte do exorcista, saída do espírito impuro e reação afirmativa das pessoas presentes.

Os personagens em ação são Jesus, o espírito impuro e aqueles que estão presentes na sinagoga. O homem endemoninhado é como que um coadjuvante do espírito impuro que o possui. Aos discípulos se faz alusão somente na frase inicial como acompanhantes de Jesus.

É digno de nota que aquilo que o espírito impuro reconhece é justo, Jesus é “o Santo de Deus”. O reconhecimento se torna uma revelação. A expressão “santo de Deus” pode ser encontrada também em Lc 4, 34; Jo 6, 69 (cf., ainda Dt 7,6; Jz 15, 17; 2sm 16, 17; Sl 105, 15; Sb 11, 1). A pergunta subentendida é: basta reconhecer o senhorio de Jesus? Ecoa o convite do salmista: “não endureçais vossos corações” (Sl 94, 8).

O grito se articula em repulsa – profissão de fé (vers. 22 – 24) e suplício (v. 26; comparar com 9, 25) . Ao espírito impuro e ordenado para manter sua consciência sobre Jesus. Sobre a epifania se baixa o véu do mistério. Marcos nos convida a cotejar os gritos do espírito impuro (vers. 22 – 23. 27) com uma voz de comando de Jesus (v. 24). A dessemelhança é reveladora. Esta diferença faz compreender a intenção de apresentar Jesus, conectado à imagem veterotestamentária, como o senhor da natureza e das opções que nela operam.

O fato que os espíritos impuros reconheçam Jesus constitui uma característica usual em Mc (3, 10; 5,7). A pergunta “o que há entre nós e ti?” contém aspecto de repulsa que é formal e recorrente no Antigo Testamento (Jz , 10; 2Sm 15, 07; 1Rs 16, 18; 2Rs 9, 16.

A referência à vinda de Jesus (v. 24) é geral e não diz respeito somente à sua chegada na sinagoga de Cafarnaum. A sua missão tem como meta a aniquilação do ser demoníaco.

A reação dos presentes na sinagoga é de surpresa e admiração. O raro ethambēthēsan (“conhecida estupefactos”), pode também denominar o espanto dos discípulos por uma palavra de Jesus (07, 24. 32). O novo ensinamento, dotado de autoridade e confirmado pela multidão (v. 27), se manifestou na obediência dos espíritos impuros ao comando de Jesus. A reação torna transparente o conjunto do relato: ele se apresenta como história de missão, enquanto na reação confluem em um único gesto a assembleia da sinagoga e a assembleia cristã missionária. Também a difusão da fama de Jesus na circunvizinhança vai entendida como notícia relacionada à missão.

O texto do Dt mostra que nós esperavam um Messias que fosse como um novo Moisés. “As Palavras de Deus em sua boca” (Dt 18, 16) evidência de paralelismo entre Jesus e Moisés.

Para Mc a autoridade da palavra de Jesus aparece referendada pelo fato de estar acompanhadoda por ações poderosas. A ação torna a palavra explícita. A história do exorcismo deve ser lida com esse pano de fundo. A derrota dos espíritos malignos anuncia que chegou ao senhorio de Deus.

Subsídio elaborado pelo grupo de biblistas da ESTEF

Dr. Bruno Glaab – Eu. Carlos Rodrigo Dutra – Dr. Humberto Maiztegui – Eu. Rita de Cácia Ló

Edição: Prof. Dr. Vanildo Luiz Zugno

ESCOLA SUPERIOR DE TEOLOGIA E ESPIRITUALIDADE FRANCISCNA

Rua Tomas Edson, 212 – Bairro Santo Antônio – Porto Alegre RS

www.estef.edu.br estef@estef.edu.br facebook.com/estef

Telefone: 51-32 16 45 67 O que é: 51 – 991 26