João-de-barro morre preso em fibras sintéticas na Praça Frei Mateus

A bióloga Cristiane Tiepo avaliou que o pássaro costuma coletar gravetos e capins, mas que deve ter confundido o material

Uma cena incomum chamou a atenção de quem passava pela Praça Frei Mateus Dolzan, no final desta semana. Um joão-de-barro morreu preso ao que parece ser um emaranhado de fibras sintéticas e naturais, despertando debate sobre a interferência do homem no meio ambiente.

Segundo avaliou a bióloga especialista em Biologia da Conservação, Cristiane Tiepo, é possível que o pássaro tenha confundido o material, levando os fios sintéticos até seu ninho: “o joão-de-barro coleta de materiais para fazer seus ninhos, no geral são gravetos e capins. Nesse caso ele se enganou […] Infelizmente isso está acontecendo com outras aves, inclusive aves marinhas, que coletam resíduos de plástico para compor seus ninhos, existem até documentários internacionais abordando o tema ”.

A bióloga refletiu sobre a questão do lixo, que não afeta apenas os animais: “o ser humano pode contribuir consumindo de forma mais consciente e destinando os seus resíduos de forma adequada. Porque hoje, o que nós vemos muito é o descaso com o próprio resíduo, como pessoas colocam seus lixos para fora das suas casas de qualquer forma, muitas vezes não separam. Isso tem gerado esses efeitos em cadeia, não só essa questão dos animais, confundindo o lixo com material natural, com os quais faziam os seus ninhos, mas também tem contribuído inclusive com enchentes, pois a drenagem urbana fica atulhada de lixo ”.

Cristiane também indica leituras sobre o tema: “tem um livro muito bom que quem pode ler eu recomendo, Colapso como sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso, de Jared M Diamond, muito interessante, ele nos mostra como várias civilizações sucumbiram por não usar seus recursos de forma adequada.

O pássaro continua preso aos fios do ninho, construído na estrutura da quadra coberta da praça.