Vice-presidente da Anfavea apresenta objetivos para zerar carbono no setor automotivo

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Antonio Calcagnotto palestrou na CIC e enfatizou como oportunidades que se abrem para o País com investimentos nas estratégias de carbono zero

Os cenários para o futuro da motorização veicular foram o tema da palestra do vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antonio Calcagnotto, na reunião-almoço desta segunda-feira (4), na Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC Caxias). Com base no estudo intitulado “O caminho da descarbonização do setor automotivo”, a Anfavea, segundo o executivo, passou a liderar esse debate para que as empresas saibam como direcionar seus investimentos para as próximas gerações de veículos. Além disso, frisou, o Brasil precisa se inserir nas regras globais de motorização carbono zero.

Para Calcagnotto, que é também diretor de Relações Institucionais e Sustentabilidade da Audi Brasil, as tecnologias de eletrificação e maior uso de sustentáveis ​​já se mostra um caminho sem volta na indústria automotiva. “As regulamentações internacionais estão cada vez mais exigentes, colocando em questão o futuro dos motores a combustão”, explicou. Segundo ele, as empresas precisam se preparar para o desafio e mirar as novas oportunidades.

Depois de explicar sobre as rotas tecnológicas e energéticas que devem ser seguidas, entrar o nível de eletrificação da frota e o papel dos biocombustíveis na estratégia de descarbonização, Antonio Calcagnoto falou sobre como os governantes precisam agir para garantir a inserção do Brasil no cenário do setor automotivo global, tendo em vista os debates e os reflexos da COP – 26. O Brasil, segundo ele, ainda depende de uma política de Estado, enquanto vários países, como Europa, Estados Unidos, China e Índia, já têm metas de redução de emissão de CO2 e de poluentes bem definidas até próximo da próxima década. “O Brasil ainda é uma página em branco”, enfatizou. Os governantes devem estabelecer políticas para acelerar os cenários de descarbonização, fazendo com que o acesso às novas tecnologias não fique restrito aos modelos mais premium como ocorre atualmente, mas sejam estendidos também aos modelos mais populares. “O Brasil não pode mais perder tempo”, afirmou.

De acordo com o estudo apresentado pelo vice-presidente da Anfavea, existem três grandes cenários possíveis para o País nos próximos 15 anos. O primeiro seria o “Inercial”, em que a transformação viria no ritmo atual, sem metas comuns, sem uma organização geral dos setores envolvidos no transporte e na geração de energia, e sem uma política de Estado que incentive a eletrificação. O segundo, batizado de “Convergência Global”, seria o mais acelerado no sentido de seguir os movimentos já em curso nos países mais desenvolvidos. O terceiro é o “Protagonismo de Biocombustíveis”, um caminho que privilegiaria os combustíveis mais sustentáveis, mas com um grau de eletrificação semelhante ao cenário “Inercial”.

Avalanche de investimentos

Com base nas horizontes, é possível prever alguns impactos sobre o setor automotivo. Atualmente, os modelos eletrificados aumentados por 2% do mix de vendas de veículos leves. Em 2030, eles representarão de 12% a 22%, dependendo dos cenários apontados no estudo da Anfavea, e de 32% a 62% em 2035. Os veículos pesados ​​também devem sua parcela de novas tecnologias, embora um pouco menor (% a 150% a 26% misture em 2030, 14% a 32% em 2035). Ou seja, mesmo no cenário mais conservador, o mercado brasileiro vai demandar milhões de unidades de veículos eletrificados até a metade da próxima década. Seriam 432 mil veículos leves / ano em 2030, subindo para 1,3 milhão / ano em 2035 . Para Calcagnotto, os números mostram que se abre uma oportunidade única de avalanche de investimentos no Brasil. Mais de R $ 150 bilhões precisarão ser investidos nos próximos 15 anos em tecnologia e infraestrutura pela cadeia automotiva, Produtores pelos de Combustíveis e Energia e pelo Poder Público, estimou o palestrante.