Pensando Bem: meditação para finados

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No programa Pensando Bem desta segunda-feira, 30/10, Frei Aldo Colombo fez uma reflexão sobre a morte:

“Um homem tinha quatro amigas, todas elas importantes, mas que eram tratadas de maneira desigual. Depois dos setenta anos sentiu que sua hora havia chegado. Ele gostaria que alguma delas o acompanhasse.

Dirigiu-se à primeira, a mais amada, a mais parceira de todas. Ela o havia enchido de prazeres e estava sempre com ele. Diante da proposta de acompanhá-lo na eternidade, ela nem sequer respondeu e ostensivamente abandonou o quarto. Diante da recusa, dirigiu-se à segunda amiga. Ela lhe proporcionara tantos momentos felizes. Sem ela não saberia o que fazer. A resposta foi de deboche: a vida é bela, tenho ainda muitas possibilidades e sonhos, não irei com você.

Restavam mais duas amigas. A terceira amiga mostrou-se compassiva, queria ajuda-lo em tudo. O acompanharia até o fim, até às portas da eternidade. Cuidaria ainda do seu enterro. Desesperado, desiludido, pensou na quarta amiga. Ele reconhecia que lhe havia devotado pouco amor e atenção. Certamente ela também recusaria o pedido. Surpreendentemente, ela disse: irei contigo para qualquer lugar.

A primeira amiga representa o corpo, o companheiro inseparável, que ele cuidara com tanto empenho e por tantos anos. A segunda amiga é a riqueza. Parecia um pouco insensível, mas ele a adorava. Foi a mais ingrata. A família representa a terceira amiga. Crescera com ela, com ela partilhou bons e maus momentos, mas mostrou-se incapaz de fazer mais. Foi até o cemitério, A quarta amiga, a alma, que simboliza os valores do espírito, ela devia tê-la amado muito mais. Era a amiga mais pura e solidária.

Essa alegoria se aplica a todos. A ordem de importância depende de cada um. Todos temos um corpo. É nosso companheiro de lutas. Ele merece ser amado e cuidado. A avaliação da amiga riqueza já não é tão lisonjeira. È possessiva, quer ser adorada e pretende mandar em tudo. Na hora da morte, ela muda para outro dono. A família é sagrada, ela nos acolhe, protege e acompanha, mas não pode ir além do cemitério. Já a alma – boas obras – é nosso passaporte para eternidade”. 

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